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À conversa com Vítor Rodrigues
01-Aug-2010

 

Depois de um ano complicado a nível profissional, com a tua lesão no joelho no início da época e posterior extinção da equipa Liberty Seguros, como surgiu a oportunidade de ingressar no pelotão internacional?A verdade é que foi um inicio de época complicado, pois não poder sair na prova inaugural do ano é algo que nos marca, principalmente depois de tanta preparação feita na fase do defeso. Depois de ter conseguido recuperar e ainda ter integrado a equipa que disputou a Volta a Portugal, penso que o meu trabalho e consequente resultado final me ajudaram  a concretizar este sonho.

Todos sabemos que a equipa Liberty Seguros era das que melhor pagava e das que oferecia aos seus ciclistas todas as condições necessárias. Agora no pelotão internacional, há muita oscilação em relação à realidade que vivias na Liberty?Eu não vejo isso dessa maneira, a verdade é que a Liberty Seguros nos oferecia todas as condições que necessitávamos para que pudéssemos treinar e cuidarmo-nos sem qualquer tipo de outros pensamentos e isso é muito importante neste patamar! Mas uma equipa não necessita de um grande orçamento para ser boa, na minha perspectiva necessita sim de ser organizada e de ter pessoas que estejam a 100% integradas no projecto e que pensem sempre no melhor para o atleta para que o mesmo possa sem preocupações treinar e descansar para se puder apresentar nas melhores condições… 

Agora ao serviço da Caja Rural, tens oportunidade de correr lado a lado com ciclistas de renome como Lance Armstrong, Shlecks, entre muitos outros. Qual a sensação de estar perante nomes tão sonantes do ciclismo mundial?É algo que todos pretendem ,penso  eu. Estamos a falar do nível mais alto e das equipas mais bem organizadas do mundo, tudo é diferente, a maneira como se compete, o público que vem assistir, as organizações das provas, a dimensão das mesmas, enfim, eu pessoalmente senti-me realizado já que era algo com que sonhava à algum tempo, mas infelizmente a minha lesão acabou por me impedir de realizar grande parte do meu calendário e que maioritariamente seria para lá da nossa fronteira.

Embora a tua equipa este ano seja continental  e, como tal, não tenham um calendário muito recheado, que balanço fazes da tua época até agora? Que diferenças encontras para o ciclismo praticado em Portugal?Independentemente da categoria da equipa, acabamos por ter um calendário bom, disputamos sempre corridas onde quase sempre havia equipas do Pro Tour, também Continentais Profissionais  e inclusive houve algumas onde estiveram algumas equipas nacionais…foi pena a lesão me ter impedido de ter me apresentar nas melhores condições naqueles dois meses.

Só tens um ano de contrato, o que se segue? O que ambicionas?Neste momento e atendendo às circunstâncias, primeiro vou concentrar-me no que ainda me resta de temporada ao serviço da Caja Rural e dar o meu melhor para fazer uma boa Volta a Portugal. A minha ambição é elevada, mas sei que neste dois últimos anos as lesões me têm  travado um pouco, mas não vou facilmente abaixo e continuarei a persistir para alcançar os meus objectivos. 

O mundo vive neste momento em crise, e por arrasto o ciclismo vem sentindo as suas consequências, mas muito em particular em Portugal. Como vês a situação do ciclismo no teu país? O que fazer para contornar a descredibilização que se instalou no seio desta modalidade?É verdade que vivemos tempos difíceis, mas penso que ainda há patrocinadores que chegaram à conclusão que somos uma fonte barata de publicidade, andamos na estrada 365 dias por ano com o seu nome ao peito faça chuva faça sol e por arrasto os nossos amigos, fãs e aficionados também querem andar equipados com a camisola do amigo, fã ou simpatizante profissional. Eu penso que devia haver mais colóquios, encontros e formações, principalmente nas camadas de formação, onde se deve incutir as novas maneiras de treino, alimentação e descanso, bem como os nosso direitos e deveres como cidadãos que somos e utilizadores da via pública.

Apesar de tudo, os portugueses começam a integrar-se aos poucos no pelotão internacional – o  Sérgio, o Tiago, o Rui, o Manuel, o Nelson e tu. É um bom prenúncio? O que mudou para começarem a reparar nos portugueses?A mentalidade. Penso que a geração que assistiu aos Tour´s onde o Zé Azevedo participou e aos jogos Olímpicos onde o Sérgio obteve a medalha de prata, foram motivadores pelo facto de concluírem que afinal até nós que estamos neste cantinho tão pequeno e escondido da Europa, também nos podemos bater com os melhores. Mas não podemos esquecer a evolução e as condições que melhoraram a olhos vistos tanto pela Federação Portuguesa de Ciclismo como por partes das equipas que de alguma maneira tentaram proporcionar aos seus atletas as condições para que isso fosse possível, e quero acreditar que as que não as puderam proporcionar tenha sido por falta de melhores apoios, mesmo havendo boa vontade e esforços por parte das direcções dos mesmos!

Está aí a porta mais uma edição da mais importante prova velocipédica nacional, a Volta a Portugal. Quais são os objectivos da equipa? E os teus objectivos pessoais?Cada competição é encarada de modo distinto consoante as características de cada uma! Neste caso cabe aos directores da equipa depois de lhes fornecido os percursos desta edição, decidirem a melhor equipa e qual a táctica a adoptar. Pessoalmente e depois deste ano não termos um líder definido, terei mais um pouco de liberdade para puder tentar fazer uma boa classificação geral final ou quem sabe até tentar uma vitória de etapa.  

Agrada-te o traçado desta Volta maioritariamente no Norte?Agrada, temos um percurso todo ele muito exigente e todos os dias serão decisivos! O que esperar da luta nesta Volta? Quais te parecem ser os principais candidatos à vitória final?Como já disse um ciclista por quem tenho muito respeito, todos os que entram em qualquer competição são candidatos, de uma maneira ou de outra, pode haver reviravoltas como já tem sido o caso em edições anteriores!

Depois dos problemas de joelho que tiveste nas duas últimas épocas resolveste solicitar um patrocínio à Specialized. Porquê os sapatos S-WORKS?Após a primeira lesão, comecei a procurar soluções para o mesmo problema, e depois de alguma pesquisa e alguns contactos pessoais, descobri as vantagens que os sapatos Specialized ofereciam. Na altura a equipa que representava utilizava bicicletas Specialized SL2 e depois de expor o meu problema, colocaram-me à disposição os seus sapatos S-Works.

O que dirias às pessoas para que de 4 a 15 de Agosto saiam à rua para vos apoiar?Que venham passar um dia diferente ao ar livre, onde não têm que pagar bilhete e onde podem conhecer uma nova cultura desportiva e ver tudo o que esta modalidade envolve, que não passa apenas por dar aos pedais… 

 

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